O sinal vermelho para Fnac pode ser 5 sinais verdes para você

FnacMajadahonda

Numa pesquisa amplamente divulgada pela mídia brasileira a dois anos, constatou-se que no Brasil havia mais de três mil livrarias. Para ter uma ideia de tamanho, somente Buenos Aires possuía 734 livrarias até então. Definitivamente o Brasil não é um país de leitores e quem se aventura a ser um livreiro sabe que precisa fomentar o hábito para vender, ou seja, um esforço dobrado. Em meio às baladas do Carnaval de 2017 a Fnac anunciou em duas linhas no seu relatório anual que está procurando um parceiro para assumir as suas doze lojas no Brasil. Uma verdadeira saída à francesa, mas que os alto-falantes midiáticos brasileiros espalharam aos quatro cantos do país.

Muito se diz sobre os motivos dessa saída da Fnac do Brasil. Alguns jornais apontam a crise atual, outros criticam o modelo de negócios enrijecido dos franceses ou os ataques dos ebooks, e-commerces, Amazon, mercado livre, Estante Virtual e por aí vai. São diagnósticos reais e que condiz com a realidade e é preciso considera-los como sintomas da mudança silenciosa que está chegando a toque de caixa. Porém, a verdade é que a própria Fnac sofre de crise de identidade, porque o seu maior foco de vendas acredite não são os livros e sim os eletrônicos. Veja o quadro abaixo extraído do próprio Report da Fnac. Neste caso o seu concorrente não é diretamente a Saraiva ou a Livraria Cultura, mas as Lojas Americanas. Portanto o modelo de negócio da Fnac bate de frente com a politica governamental de taxação sobre os eletrônicos que atormenta os consumidores do Brasil. Em outras palavras, se as Lojas Americanas sofrem imagine uma multinacional varejista.

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O endividamento do consumidor brasileiro enfraqueceu o mercado de varejo no país levando grandes players do mercado a sofrerem consequências em suas finanças. O Via Varejo está à venda, Ambev assiste seu faturamento cair, B2W não consegue fazer suas contas no azul, bancos menores como o BMG estão se reinventando, redes de drogarias vendidas aos pedaços como a Brasil Pharma e assim por diante em todos os setores. A luz vermelha acendeu para a Fnac quando a mesmo percebeu que não compensava o desgaste com o setor.

O CEO do grupo Fnac Darty, Alexandre Bompard, declara que o problema da Fnac Brasil é o tamanho dela para com o mercado. O executivo destaca que o tamanho crítico não é o suficiente para se tornar lucrativa. No momento em que comparo com as Lojas Americanas, por exemplo, tenho que concordar com o chefe da francesa porque ao grosso modo tendo como base os balanços financeiros, uma loja Fnac capta algo entorno de 14 milhões de reais por ano ao passo que uma Loja Americana atraiu quase 19 milhões de reais por ano. Pode se fazer aqui uma série de relações entre Fnac, Lojas Americanas, Saraiva, mercado de e-commerce, setor editorial e análise de gestão, mas em todos os casos a Fnac verá suas contas no vermelho e em dificuldades. Abaixo segue um quadro que demonstra o emagrecimento financeiro da Fnac Brasil.

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No entanto essa bandeira branca da Fnac na guerra dentro do mercado brasileiro, as dificuldades da Saraiva e Livraria Cultura e a possível venda da Via Varejo pode significar sinal verde para você que quer entrar no setor. Pequenas livrarias no mercado americano têm surgido das cinzas para ganhar folego na batalha pela venda de livros por lá. Embora é compreensível que o publico americano e europeu seja mais maduro, não seria errado reinventar no mercado brasileiro inspirado em estratégias yankee. São elas:

1 – Foco na experiência.

Se perguntar por que você gostaria de voltar na Disney World ou no Beto Carreiro, provavelmente você responderia: “porque eu quero viver aquela experiência outra vez.” De igual modo às livrarias precisam urgentemente focar na experiência de seus clientes.

2- Prestigie o Belo.

As livrarias precisam cultivar a beleza nas lojas de tal forma que o cliente tenha prazer em circular no ambiente. E todos nós sabemos circular em sua loja aumento muito a taxa de conversão de seu empreendimento.

3- Espirito de descoberta.

Os algoritmos tem utilizado a expressão “Quem comprou isso também gostou disso…” no objetivo de compartilhar algo que possivelmente o consumidor possa querer. No entanto se a sua livraria desenvolver uma multiplicidade de títulos você pode fazer nascer no cliente o espirito de descobridor de joias. Ele permanecerá por horas em sua loja e provavelmente consumirá muito mais.

4- Identidade com a comunidade.

Sua livraria não pode ser artificial, mas autêntica. Deve expressar o espirito do lugar onde está estabelecida. As pessoas sentirão que estão em casa ou numa extensão dela. A experiência será de tal modo extraordinário que comprar um livro, tomar um café ao som de Billie Jean e ter uma boa prosa com os livreiros que lá trabalham, não haverá preço que pague isso.

5- Despertar o senso de dever do cliente.

É preciso formar a seguinte ideia na cabeça do consumidor “ se eu não apoiar essa livraria ela vai embora”. O cliente precisa entender que o negócio só prospera com ele consumindo.

Em resumo as grandes cadeias de lojas estão sofrendo horrores para se manterem de pé. Mas se usarmos uma estratégia eficaz desenvolveremos um negócio próspero e duradouro.

Escrito por Daniel Júnior

Editor do De Zero a Tudo

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